24 maio 2010

Cartaz, Pôster, Psicodelia, Ácido e Rock n' Roll.

Sempre que ouço "cartaz", quase que me lembro automaticamente de imagens de pôsteres.
Daí me lembrei que tinha lido outro dia uma matéria bem legal que falava sobre os cartazes (ou pôsteres, que no final da na mesma) de shows de rock do Fillmore Theather em São Francisco, que foram criados durante os anos de 66 a 71.
Os cartazes são lindos e servem como referência para entender como se dava uma parte da estética daquele período onde artistas se banhavam em influências como drogas (especialmente o lsd), movimento hippie, power flower, ficção, psicodelismo, futurismo e porque não dizer o próprio rock.
Eu separei umas imagens que achei insanas demais, saca só:


E claro, um som pra ouvir qual era a música que se faziam e que algumas dessas bandas ainda fazem...









O do Pink Floyd é simplesmente retardado... muito bom mesmo.

Hasta!

Victor.

22 maio 2010

*ostengruppe

[primeira vez que escrevo por aqui!]

caros picolés,


lá em cima: *link pra mais informações sobre o trabalho desse "creative design lab" que faz cartazes principalmente para os eventos que acontecem no DOM, um centro cultural em Moscou.

osten?
na tradução do alemão, leste
na história alemã, um município
no google imagens, uma página que nos leva a uma banda, mapas, pessoas, cidades...

grupo do leste?
que dizem sobre o que pode significar?

na exposição, cheguei até a copiar uns desenhos no meu caderno de anotações... ainda bem que tivemos o ateliê! mesmo não trabalhando com a bidimensionalidade, pra que pudéssemos fazer cartazes inspirados nos que vimos...

e esse trabalho? não tinha lá na exposição, mas acho bem oportuno pra discutir o Brasil... que acham?

aproveitem o site. vamos falar mais sobre! adorei!


saludos,

Sté

20 maio 2010

Clipe

Achei esse clipe muito bom, ele é feito com várias obras famosas. Ficou muito legal!
Iza


obs: é só clicar no clipe para ver.

Borges

17 maio 2010

Ocupação Prestes Maia

Sobre a IX Bienal de Havana - Território São Paulo



Na Avenida Prestes Maia, número 911, região da Luz, centro de São Paulo: vemos um prédio de 23 andares, ocupando com duas torres um terreno de muitos metros quadrados, construído na metade do século XX para servir de escritório a uma empresa da indústria têxtil. De 1987 à 2002, porém, o prédio permaneceu vazio, obsoleto, oco.

Na contramão, a contradição da realidade capital paulistana aparecia nas ruas: um contigente imenso de pessoas sem moradia.

Articuladas pelo Movimento do Sem-Teto do Centro (MSTC), deu-se a ocupação do Edifício: de 2002 a 2007, 470 famílias habitaram nele, cerca de 2000 pessoas, que revitalizaram (em sua acepção literal) aquele lugar. É considerada, até hoje, a maior ocupação vertical da América Latina. Dentro do prédio, criaram uma escola, a Escola Popular Prestes Maia, construíram coletivamente uma biblioteca (que chegou a ter 6000 livros), abriram um espaço para oficinas, debates, festas, deram sentido ao lugar vazio, preencheram com vida o prédio oco.

Durante todo o tempo da ocupação, uma série de intervenções foram feitas voltadas para a rua, com a intenção de chamar atenção para o que acontecia naquele lugar. Em 2006, porém, uma outra experiência artística foi proposta: a Ocupação Prestes Maia abrigaria o Território São Paulo, exposição paralela e integrante à IX Bienal de Havana. 13 coletivos artísticos paulistanos foram convidados a produzir uma arte-política para aquele lugar, que dialogasse e propusesse questões a cerca dos conteúdos levantados pela ocupação, pela apropriação daquele espaço. As salas em Cuba e em São Paulo se comunicavam e interagiam todo o tempo, através de um aparelho de fax.

Em 2007, uma ação judicial de reintegração de posse, movida por um dos proprietários do edifício (e vereador de SP então em exercício!), e executada por uma ação da Polícia Militar, despejou do Prestes Maia todas as famílias que ali viviam, todas suas obras de arte, todos seus livros.

Na cidade que se (re)produz pela lógica da valorização do capital, qual que é o espaço do espontâneo? Existe arte-política?
Na avenida Prestes Maia nº 911 resta ainda o esqueleto de um prédio - o esqueleto de um corpo morto.











+ Imagens, Vídeos e Informações: http://tuliotavares.wordpress.com/prestes-maia-acoes-culturais/

Revitalização ou Gentrificação?

Rachel

Microhistória em quadrinhos

Dito, não dito, interdito

14 maio 2010

"Insurgências poéticas: arte ativista e ação coletiva"

Oi gente! ^^ Um dia desses me lembrei de um ciclo de seminários que assisti, baseados numa tese de mestrado chamada "Insurgências poéticas: arte ativista e ação coletiva", ministrado pelo historiador, autor da tese, André Mesquita. Pensei que vocês talvez se interessassem. O tema é totalmente ligado à relação arte-política e perpassa várias das questões já discutidas ao longo dessas duas semanas. Uma característica interessante é que o trabalho aborda alguns países, dentre eles (principalmente) o Brasil. Além disso, é focado nas décadas de 1990 e 2000, portanto contemporâneo, de épocas bem próximas a nós.



A tese se encontra disponível no banco de teses da USP (para quem não conhece, link geral do banco: http://www.teses.usp.br) e nas bibliotecas do MAC (Museu de Arte Contemporânea da USP) e da FFLCH (Biblioteca Florestan Fernandes, - link: http://www.sbd.fflch.usp.br/site/ - da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP).

Link direto para a página que contém a tese (disponível para download) e outras informações: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-03122008-163436/

Descrição/resumo da tese, roubado da página da própria:

Resumo Original
Esta dissertação apresenta uma reflexão sobre as interseções entre práticas artísticas e ativismo contemporâneo, especialmente nas décadas de 1990 e 2000. A partir de diferentes contextos, o estudo investiga os conceitos e objetivos de uma arte coletiva e engajada socialmente, considerando seus modos de experimentação estética e expressão política. Utilizando-se de entrevistas, manifestos, textos críticos, reportagens e documentos como fotografias, vídeos e filmes, a dissertação apresenta no primeiro capítulo um histórico detalhado sobre as diversas concatenações entre arte, ativismo político e produção coletiva no século XX. No segundo capítulo, este trabalho analisa a formulação de uma "estética anti-corporativa", baseada em táticas intervencionistas criadas por artistas e coletivos radicados nos EEUU, Espanha, França, Canadá, Austrália e Brasil. Seus projetos envolvem instalações artísticas com experimentos biológicos, mídia tática, cartografias, protestos contra a globalização capitalista, performances e Culture Jamming. O terceiro capítulo apresenta um estudo sobre o coletivismo artístico no Brasil e algumas de suas estratégias de ação, como intervenções urbanas, circuitos alternativos de produção e de distribuição, projetos com comunidades específicas e colaborações com movimentos sociais. Além disso, o texto faz uma breve reflexão sobre a atitude e o impacto destes grupos sobre o sistema de arte, caracterizado pelo apoio institucional de museus, galerias, mostras internacionais, críticos, curadores e patrocínio corporativo.


O André é super bacana, acessível e parece não ligar muito para a questão de "direitos autorais" com a tese dele. Diversas vezes disse para a passarmos adiante para quem quiséssemos. E qualquer dúvida, vale a pena mandar e-mail para ele (disponível na página da tese), pois ele é realmente atencioso e gosta de discussões (quando as pessoas não discordavam ou quando não tinham dúvidas ele parecia ficar bastante desapontado).

Não a li inteira, só alguns trechos porque tenho sérios problemas em ler pela net, mas tenho certeza que quem se interessar pelo assunto vai adorar esse trabalho! Ele tem ligações com diversos outros temas super interessantes e instigantes. Durante o período dos seminários ele mandou alguns e-mails com dicas de textos, links diversos, vídeos, etc... vou repassar a vocês.

Espero que gostem!

ps.: Não consegui deixar os links clicáveis, então para vê-los tem que ser no velho método de copiar e colar no navegador. Usando o "inserir link", os links simplesmente não apareceram. Sintam-se a vontade para intervenções no texto e edições para melhorá-lo da forma como quiserem. ;)

Ahhhh, e mais uma coisa que parece besta, mas tem me ajudado! Vocês têm twitter? (Até uma semana atrás eu detestava twitter até descobrir que:) Vários eventos/intituiçoes culturais têm e mandam constantemente atualizações de suas atividades como: cursos, exposições, palestras, oficinas, etc via twitter, é só "segui-los".

Sugestões:
@BienalSaoPaulo @itaucultural @centrocultural @CulturaSP @MAM_SP @CCBB_SP @hablamemorial @pacodasartes

Beijos e feliz fim de semana,
Cinthia. :]

11 maio 2010

Macunaíma

"No fundo do mato virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era negro retinto e filho do medo e da noite"
Mario de Andrade

Segundo José Miguel Wisnik essa peça lúdica, com traços infantis e perversos poliforma da história nacional podem ser entendidos como um movimento de libertação do colonizado, que inverte anarquicamente as versões oficiais, apropriando-se delas e imprimindo outros sentidos onde a experiencia coletiva inconsciente saia para a superfície. Assumindo abertamente o que existe de rebaixado e falso na história do colonizado, encaramos uma representação da história mais trágico carnavalesca que épica.


Macunaíma, “Mário de Andrade e a construção da cultura brasileira”

Resumo da Palestra de José Miguel Wisnik, professor de literatura da USP.

Ele afirma que não se pode separar a arte de Mário de Andrade da experiência que ele viveu: São Paulo se desenvolvendo nos anos 1920-30.

Mario de Andrade representa a velocidade e a simultaneidade e quebra com a arte que até então havia sido feita, a arte tradicional, para criar uma arte moderna. Ele era músico e utilizava seus conhecimentos de música na literatura, sua linguagem, assim como São Paulo, é simultaneizada e múltipla, “antropofágica” (apreende tudo que é exterior e a partir disso cria algo que é próprio e singular). Para Mario de Andrade, a poesia, assim como a música, devia ser polifônica, rompendo com a linearidade, sua poesia é uma sobreposição de imagens.

Wisnik continua afirmando que a modernização da cultura brasileira passou pela Bahia no séc. XVII, Minas Gerais no séc. XVIII, Rio de Janeiro no séc. XIX e São Paulo no séc XX. Afirma que Mario de Andrade teve dois momentos, no primeiro momento, ele adota uma visão cosmopolita do Brasil, e no segundo momento, propõe a nacionalização da cultura brasileira.

A base para isso ele encontra na cultura popular (anônima e coletiva), que seria um fundo perdido da cultura brasileira que o artista deve resgatar, redescobrir; pois para Mario de Andrade existem dois “Brasis”, um escrito, erudito e europeu e outro iletrado, popular e nacional, e ao artista caberia a responsabilidade de unir estes dois “Brasis”.

Segundo ele, a música popular é a maior riqueza do Brasil, pois foi construída através dos séculos.

Ao Macunaíma, Mario de Andrade chamou rapsódia, e não romance, pois foi baseado em musicas, cantigas, lendas e ditos populares. O personagem Macunaíma inclusive já existia em lendas indígenas.

Macunaíma precisa vir a São Paulo para recuperar muiraquitã do monstro gigante mascate ítalo-peruano Venceslau Pietro-Pietra, que já havia morado no Pernambuco e era piaimã. Macunaíma não tem pai, como muitos outros heróis e semi-deuses. Ele nasce fruto da mãe com a escuridão.

O fato do muiraquitã, que é mágico, ser roubado por um comerciante e transformado em mercadoria no seu mercado-museu, representa(ou reflete) a tendência real de toda forma de arte ir sempre parar nestes dois lugares: mercado e/ou museu.

No Brasil, as maiores criações saem da mistura do público com o privado e as maiores sacanagens também, porque, segundo Sergio Buarque de Holanda, também modernista, “O Brasil é marcado pela mistura do público com o privado”

Ao final do livro, Macunaíma não agüenta a realidade do Brasil (do mundo/ da vida) e transforma-se em estrela, para viver para sempre do lado de sua amada Ci, a mãe do mato.

Monumento?

10 maio 2010

Intervenção em Brasília

Olá picolés, esse vídeo que vos mando é uma intervenção de um pessoal do curso de artes plásticas da UNB. Mais para ilustrar o conceito de intervenção urbana e para celebrar o meio centenário da capital federal.



besos, Fernando

08 maio 2010

Larilá...

CONVIDADÍSSIMOS...

Na próxima segunda, 10, estarei participando da peça ENTRE CRENÇAS de um grupo de teatro alternativo. A peça sugere questionamentos - quanto ao que é pecado, fé, política, entre outros - aos olhos das religiões: Camdomblé, Cristianismo, Hinduísmo.


[Encontro erros ao fazer o upload do flayer]


Mas deixo as ditas informações:
Teatro Brigadeiro
Av Brigadeiro Luiz Antonio, 884 - Bela Vista (Metro São Joaquim)
21h


Sem mais, Anne.

Sugestões de Leitura



Devido às discussões que tivemos essa semana, sugiro alguns livros:






O primeiro é Não-Lugares - Introdução a uma antropologia da Supermodernidade, Ed. Papirus (2004), do antropólogo francês Marc Augé. O livro define o não-lugar como aquele oposto ao lar, à residência, ao lugar personalizado, sendo então aquele que não temos nenhum laço afetivo, é efêmero. Lembrei desse livro na discussão que tivemos sobre a rápida mudança do espaço contemporâneo, e principalmente da cidade de São Paulo. Com isso, podemos pensar por quantas ruas e bairros passamos todos os dias mas sem conhecê-los de verdade, sendo lugares de passagem... É uma poa pedida para quem quer se aprofundar no assunto!


Uma outra sugestão é um dos livros que compõe uma coleção intitulada Temas da Arte Contemporânea, Ed. Martins Fontes (2009), da curadora e atual coordenadora da divisão de Educação do Museu de Arte Contemporânea (MAC/USP), Katia Canton. Da Política às Micropolíticas, trata da arte contemporânea a partir do conceito de micropolítica, que vem sendo usado cada vez mais por pensadores da cultura contemporânea para colocar a discussão política em um novo paradigma. Ótimo livro, de fácil entendimento, para podermos pensar mais sobre o tema da nossa Bienal.

Um ótimo final de semana a todos,

Natália.

Programação para Domingo!

Pessoal, está acontecendo no Itaú Cultural, a Antídoto - Mostra Internacional de Ações Culturais em Zona de Conflito.
O evento abrange shows, mostra de filmes e seminários, que debate o combate à violência por meio de iniciativas relacionadas à educação, à comunicação, à música, ao teatro e ao cinema.

E amanhã (domingo 9) às 19h na mostra de filmes, será exibido o documentário Zumbi Somos Nós (2007), realizada pelo Frente 3 de Fevereiro, coletivo que promove pesquisas e ações artísticas ligadas ao debate sobre o racismo país. E logo após, acontece um debate com Eugenio Correia e Maurinete Correia Ferreira Lima.
Como a entrada é franca, talvez seja bom chegar um pouco antes!

Link da programação: http://www.itaucultural.org.br/antidoto2010/

Até,
Natália.

07 maio 2010

Eats a Hamburger

Bom dia!!!Hoje,ANDY WAHROL!!OBAAAAAAAAA!!!!!!

Quatro minutos e trinta e um segundos "Eats a Hamburger ".Esse é um trabalho que mostra o resumo da Apologia Crítica que refletia nos trabalhos de Andy Wahrol em relação ao American Way Of Life.Um dos meus favoritos!


http://www.youtube.com/watch?v=jaf6zF-FJBk


Olyvia.

06 maio 2010

LOMO : Leningradskoye Optiko Mechanichesckoye Obyedinenie

(Organização Ótica Mecânica de Leningrado)

Baobás Lomográficos











Eis aqui um documentário da BBC sobre história da LOMO e da 'Lomografia' enquanto um movimento fotográfico, com cenas preciosas da origem soviética da câmera, além de o próprio filme ser uma experiência dessa estética 'lomográfica'.

+Siteografia: uma boa sinopse do que é a lomografia: http://bit.ly/lKgdu / site oficial da Sociedade Lomográfica Internacional:http://www.lomography.com/

Amanhã a gente lomografa juntos!

Rachel

05 maio 2010

Cinema Marginal

O filme para ser marginal,teria de ser um tipo de cinema feito sem compromisso naquele momento,nem com o público nem com a censura, o que acontece no filme Cancer (1968)de Glauber Rocha,em que H.O teve participação...

Se Glauber é precursor do underground brasileiro com“Câncer” filmado em 1968 , no Rio, é por sua aproximação com a cultura dos morros cariocas. Relação Sertão/Favela que cria uma linha de continuidade entre o mundo do sertanejo e o imaginário urbano das favelas. A marginália social e artística dos morros ganha um sentido existencial e estético a partir dos anos 70. “Câncer” é uma encruzilhada entre a pedagogia da violência glauberiana, seu impulso sádico-paternalista e o desejo de uma arte que atravessasse as fronteiras de classe, status, cultura. Nele, a classe média artística – Rogério Duarte, Odete Lara, Hugo Carvana, Pitanga, Hélio Oiticica – freqüenta a marginália dos morros, sambistas, punguistas, o submundo das delegacias. Discutem com o povo à respeito de comunismo, sexo, miséria, revolução. Glauber descobre a vanguarda pelo submundo, como se Godard subisse o morro.

Ivana Bentes


Camille

DESIDENTIDADE

Sem dúvida falar de Brasil é uma tarefa complexa. Não sou historiadora, nem antropóloga, sou artista. E vivendo longe de meu país, com esta perspectiva “de fora” pretendo descrever, ou pontuar algumas características que acho relevantes.
Antes de tudo, estas informações servem como base, ou ponto de partida para tentar entender a relação do individuo brasileiro em seu meio.
Os exemplos vão da literatura à música, ao cinema e às artes plásticas, e onde se combinam manifestações eruditas com manifestações da cultura popular e de massas. Ressaltando com isto, certo caráter mesclado da singular cultura brasileira – com uma certa vocação para cruzar ou dissipar fronteiras – o que não deixa de ser um traço antropófagico .
Por tanto, pareceu interessante me basear no texto «Como explicar el arte contemporáneo brasileño a un publico internacional II» de Tadeu Chiarelli. Neste texto Chiarelli reflete acerca desta posição externa e tenta mostrar uma arte brasileira que foge dos estereótipos, uma arte coerente com sua realidade. Para isto expõe uma visão exótica que o público internacional possui do Brasil – paraíso tropical, habitado por um povo sensual, alegre e despreocupado, marcado pela violência – em contraposição com a imagem que o próprio país criou para si mesmo no decorrer de sua historia. Rompendo, assim, com as noções mais aceitas de Brasil e buscando revelar olhares que tenham um sentido mais profundo, que demonstrem uma relação coerente entre o individuo brasileiro, seu meio e sua forma de representar, o reagir a este ambiente.
Para entender de uma maneira geral o que ocorre com o individuo brasileiro Chiarelli desenvolve o conceito de desidentidade . O caracteriza como o processo pelo qual vem passando a sociedade e o individuo brasileiro. Um processo “evidenciado pela crise que passou o Brasil no seu problemático ingresso ao âmbito da modernidade. Intensificado no período posterior à segunda guerra mundial, a crise piora a partir do golpe militar de 1964 e cresce ainda mais nos governos subseqüentes, apesar dos intentos falidos para superá-la.”
Chiarelli relaciona o processo de desidentidade com a busca falida da identidade do brasileiro. Um esforço que brotava, por um lado, da classe artística, como um resgate das origens, evidenciado principalmente no modernismo. E também, por outro lado, como um esforço muito forte, por parte das instancias do poder, para tentar estabelecer uma identidade brasileira “controlável”. Para isto, interessava apropriar-se e divulgar alguns ‘mitos’ que foram sendo criados ao largo da historia.
Podemos encontrar o primeiro deles na origem romântica que começou a difundir-se em clássicos da literatura brasileira do século XIX, como O Guarani , de José de Alencar. Este ‘mito’ se relaciona com a configuração do brasileiro típico, possuidor de todas as qualidades positivas da população: o indígena. A compreensão da figura do índio como símbolo de Brasil e de todos os brasileiros – o guerreiro aguerrido e viril, ao mesmo tempo dócil e com tendência à submissão do poder do colonizador branco continuou, apesar da oposição de críticos e artistas, até depois de 1964 e foi assumida em grande parte pelos donos do poder ditatorial.
Um segundo ‘mito’ alimentado más adiante pelas instancias de poder local, foi o da projeção da grandiosidade que o país alcançaria se aderisse ao modelo de crescimento industrial, dentro dos moldes capitalistas. Tal postura gerou, durante o crescimento visível da cidade de São Paulo, o sonho da transformação do país. Não percebendo, ou fingindo não se dar conta de que, por trás do aparente apogeu haviam enterrado severas contradições acerca da sociedade brasileira.
Dentro desta realidade elaborada e alimentada por “mitos” inalcançáveis, escolhi artistas, vinculados a movimentos – antropofagia, concretismo, neo concreto, tropicália – para entender quais foram seus obstáculos e as estratégias encontradas em seu tempo. Como forma de esclarecer e compreender a realidade atual diante do desmoronamento das utopias concebidas durante o século XX. Olhar para estes movimentos possibilita outras formas de compreensão do difícil projeto de emancipação política y social do Brasil e da realidade resultante a se enfrentar hoje em dia.



Rubens Mano, São Paulo fora de foco, 1999

Como diamante

Fortalecendo a ideia de que a identidade é multifacetada - assim como um diamante -, deixo um trecho da obra de Gilberto Freyre, Casa-Grande & Senzala:

"Quantas "mães-pretas", amas de leite, negras cozinheiras e quitandeiras influenciaram crianças e adultos brancos (negros e mestiços também), no campo e nas áreas urbanas, com suas histórias, com suas memórias, com suas práticas religiosas, seus hábitos e seus conhecimentos técnicos? Medos, verdades, cuidados, forma de organização social e sentimentos, senso do que é certo e do que é errado, valores culturais, escolhas gastronômicas, indumentárias e linguagem, tudo isso conformou-se no contato cotidiano desenvolvido entre brancos, negros, indígenas e mestiços na Colônia."


Parentêse:


O baobá personifica o espírito africano. É considerada a árvore da vida, com uma importância única para tribos inteiras. Há uma lenda no Senegal que diz que se um morto for sepultado dentro de um baobá, sua alma irá viver enquanto a planta existir! Lembrando que o baobá vive muito... chegando até 6 mil anos.

É bem provável que tenham percebido o grande baóba no braço direito do nosso monitor hoje. Grande significação para uma tatuagem, não?


S'imbora.
Anne

A Busca da Identidade

Hoje, no nosso encontro antes de entrarmos no Museu, discutimos sobre a identidade do Brasil. Acredito que tenhamos numa identidade plural, multifacetada, embora carregamos resquícios de culturas e tradições distantes de nós devido as caractetísticas do sistema que rege nossas vidas.
Me lembrei de um filme que assisti ano passado, "A Concepção" e que gostei muito. Aborda a questão da morte do ego e assumir uma não identidade (o que determina uma identidade para esse grupo auto denominado de concepcionistas), ou melhor, assumem todas as identidades que possam existir.



Embora a história desse grupo seja tratada no plano do individualismo e não do coletivo, acho que seria interessante conhecer para debater, até mesmo os mais ortodoxos, nem que seja para tacar o pau rss.
Bom, é isso!

Vejo todos amanhã.
Abs

Rodrigo

Candomblé e o primeiro samba do Brasil.

Pegando o gancho da exposição de hoje gostaria de compartilhar a história do primeiro samba do Brasil. Este meu recorte temporal mostra, sob a ótica da música e da religião, como se davam algumas das interações sociais dos recém libertos afrodescendentes na virada do século XIX para o XX.

O primeiro samba gravado foi "Pelo Telephone", registrado por Donga e Mauro de Almeida, porém sua autoria até hoje gera discussão uma vez que não se sabe ao certo quem foi o real autor da música.

Isso por que na cidade do Rio de Janeiro no início do século passado, era na casa de Tia Ciata o ponto de encontro dos músicos, boêmios e artistas em geral, tais como: Sinhô, Donga, João da Baiana, Pixinguinha entre outras figuras notáveis da época.
Tia Ciata, baiana de nascimento, Iyalorixá (mãe de santo) e cozinheira de mão cheia, era uma figura marcante da cena artística daquela época, de portas sempre abertas recebia seus convidados para seus cultos de Candomblé e após eles, iniciavam-se festas incríveis que podiam perdurar por vários dias.


Tia Ciata

Nestas festas, se utilizando da combinação dos instrumentos do candomblé e outros como viola, violão, cavaquinho e intrumentos de sopro, os músicos tocavam e cantavam sem parar, em formato de partido-alto, que antes de virar um sub-gênero do samba como é conhecido hoje, era o nome que se dava à esta improvisção na letra cantada, onde se criava um refrão ou apenas uma palavra que se repete várias vezes e os versos eram criados na hora, cantados por um músico de cada vez, o que muito nos remete ao repente do nordeste ou ao "freestyle" no hip-hop.

E dessas rodas de música (música, pois ainda não se usava o termo samba até aquele momento) foi criada "Pelo Telephone", sem nunca se saber quem foi o real autor da música, mas que foi registrada por Donga e Mauro e alguns anos depois gravado pelo cantor Bahiano para a Casa Edison, primeira gravadora do Brasil, cujo nome remete à invenção de Thomas Edison, o fonógrafo de Edison, primeiro instrumento para gravações de áudio com uma certa qualidade de reprodução.

Ouçam a versão original de 1916, gravada pelo cantor Bahiano.


E uma outra versão de 1966 da tv Record, com o próprio Donga cantando, Chico Buarque, Pixinguinha, Hebe Camargo, entre outros.


E citando Donga eu encerro,

"mas não se esqueça, o samba veio da Bahia!"

Victor

Fela Kuti & Africa 70

FELA KUTI: nigeriano, compositor multi-instrumentista, criador do AFROBEAT, tradutor musical dos ritmos da áfrica, propositor performático de estados de transe, agitador social, ativista político, líder africano para os Direitos Humanos
OU
Personificação ideal do que é ser ARTISTA (e) AFRICANO.

FELA KUTI live! - Don't Gag Me - Je'nwi T'emi 1971



MUSIC IS THE WEAPON - Documentário (genial) sobre FELA (1982).

(essa é apenas a parte 1, mas o doc inteiro está disponível no youtube)


Aumentem o som
Rachel

Citando Argan

"Entende-se, com este termo - vanguarda -, um movimento que investe um interesse ideológico na arte, preparando e anunciando deliberadamente uma subversão radical da cultura e até dos costumes sociais, negando em bloco todo o passado e substituindo a pesquisa metódica por uma ousada experimentação na ordem estilística e técnica" (Giulio Carlo Argan)

Este trecho, ao meu ver, descreve exatamente o trabalho de Oiticica. E Através da definição de Argan para vanguarda, percebo que Helio Oiticica é um marco para o movimento vanguardista brasileiro, sendo um dos precursores, para arte política no Brasil.

Izabella

04 maio 2010

Situaticica: Hélio e os Situacionistas

Entre Picolés e Parangolés, minha contribuição ao blog!

Transgressão dos sentidos (o suprassensorial); superação das formas (do geométrico à perspectiva, do plano ao espaço, do rígido ao maleável); negação do instituído (e das Instituições); espectador participante (Bólidos, Penetráveis e Parangolés); abstração do espaço (arte como proposição de ambiência); sincretismo de referências (Nietzsche e Mangueira).

São muitos os nós que atam a obra de Hélio Oiticica ao pensamento crítico do Situacionismo. A conceituação da arte de Oiticica é quase a reprodução do discurso situacionista, sendo possível fazer a associação da obra do artista como a materialização da teoria do grupo crítico francês.

Uma discussão mais aprofundada acerca das relações possíveis entre Oiticica e os Situacionistas demandaria um bom conhecimento das produções dos dois lados. Se, de um lado, tivemos uma aula cheia de explanações, de outro temos uma vaga idéia de um movimento do pensamento radical que jogou pólvora na explosão de 1968.
Sem a pretensão de explicá-lo literalmente (pois ele se recusa a explicações!), e consciente de que um resumo será um reducionismo de seu sentido, vou tentar fazer uma sinopse do que foi o Situacionismo, mas sugiro que vocês não confiem em mim e que busquem outras leituras sobre o tema.

O Situacionismo foi um “ismo” do século XX que se opunha ao status quo do mundo capitalista, mas se opunha também aos tantos outros “ismos” críticos de sua época. Formou-se como uma dissidência radical da Internacional Letrista, que já propunha na década de 1950 a "reunificação da criação cultural de vanguarda e da crítica revolucionária da sociedade". O grupo era composto por amigos, das mais diversas procedências intelectuais: filósofos, arquitetos, artistas e outros boêmios. Eles questionavam fundamentalmente a “arte-mercadoria” e o consumo, e seus debates giravam como satélite em torno da cultura que orbitava em volta da (re)produção da sociedade capitalista. A crítica vem no sentido da proposição de um outro cotidiano, cabendo à “arte” a sensibilização para outra realidade.

Ainda sob o título de Letristas, o grupo produzia coletivamente uma revista que era distribuída livremente pelas ruas de Paris, chamada Potlatch. O primeiro artigo da revista de número 14 é intitulado “A Linha Geral” e começa dizendo:
“A Internacional Letrista se propõe a estabelecer uma estrutura apaixonante da vida. Nossas experimentações de comportamentos, de formas, de arquitetura, de urbanismo e de comunicação propõem a criação de situações provocativas”



Aí vão dois trechos de artigos publicados na Potlatch e em seguida uma citação de Hélio Oiticica:

“... Os funcionalistas ignoram a função psicológica da ambiência... (ignoram também) o aspecto das construções e dos objetos que nos envolvem e que nós usamos independentemente de seu sentido prático” (“Une architecture de la vie” – Potlatch nº15)

“(...) a próxima subversão da sensibilidade não pode mais se conceber no plano de uma expressão inédita de fatos conhecidos, mas no plano da construção consciente de novos estados afetivos.” (“Le Grand Sommeil et Ses Clients” – Potlatch nº16)

“(...) não quero e nem pretendo criar uma ‘nova estética da anti-arte’,pois já seria isso uma posição ultrapassada e conformista. Parangolé é uma anti-arte por excelência; inclusive pretendo estender o sentido de ‘apropriação’ às coisas do mundo com que deparo nas ruas, terrenos baldios, campos, o mundo ambiente, enfim – coisas que não seriam transportáveis, mas para as quais eu chamaria o público – seria isso um golpe fatal ao conceito de museu, galeria de arte, et., e ao próprio conceito de exposição – ou nós modificamos ou ficamos na mesma. Museu é o mundo, é a experiência cotidiana” (Oiticica, “Aspiro ao grande labirinto”, 1966).¹

Por essas três citações invocadas, podemos fazer uma leitura da aproximação entre as intenções de Oiticica e dos Situacionistas. Mas foi na internet que encontrei a argumentação da minha certeza:

“A partir de sua estadia em NovaYork, Oiticica se aproximou ainda mais do pensamento situacionista, ele passou a citar Guy Debord em vários de seus escritos e chegou a propor um Penetrável (P12) com textos escritos e declamados retirados do clássico de Debord, A sociedade do espetáculo (1967)” em

E na dissertação de pós-graduação de um sujeito da Bahia, encontrada em algum lugar do sistema solar google, e intitulada “...Sobre homens invisíveis: interferências ambientais” (PITON, Salvador, 2004), muitas e muitas relações interessantes entre os dois são abordadas. Em

Agora eu fico por aqui, mas aqui ficam idéias e citações para serem apropriadas pelas livres associações de cada um. Como as roupas-abrigos-parangolés, façam o que quiserem com elas!

¹ Essa citação responde à questão do que Hélio acharia de sua própria exposição: ele intentou ao assassinato do próprio conceito de exposição! Se ele soubesse que, ainda por cima, não se trata de um museu exatamente, mas de um braço cultural de uma instituição financeira, e que suas obras sensíveis estão dentro de caixas de acrílico, Hélio se auto-expulsaria de sua exposição!
Como bem disse a Olyvia: “O Hélio até exibiria suas obras aqui, mas no meio da Avenida Paulista!”.

Saludos a todos!
Rachel

O que você acha que Helio Oiticica pensaria sobre essa exposição?

tente responder com uma de suas frases ou título de algum de seus trabalhos.

02 maio 2010

Nova Objetividade Brasileira.

Acima um link sobre Hélio Oiticica e Gilberto Gil,falando sobre a Tropicália e criticando a exclusão do multiculturalismo arianista,americano e europeu.

Videos de Ivan Cardoso, 1979.
Cine Teatro Nô,focalizando a obra do artista plástico carioca Hélio Oiticica, com texto poético de Haroldo de campos.
Com Caetano Veloso, Carlinhos do Pandeiro, Ferreira Gullar, Helio Oiticica, Lygia Clark, Nildo da Mangueira, Nininha, Waly Salomão.

Parte 1:http://www.youtube.com/watch?v=vxEFy7GvFrs&NR=1

Parte 2:http://www.youtube.com/watch?v=Pg2zPNKFKfI

"Essa coisa do Mario Pedrosa dizer que o Brasil é um país condenado ao moderno,é uma coisa muito importante,porquê na realidade o que ele tá querendo dizer é o seguinte:Que só há a possibilidade de ir pra frente,em outras palavras,de experimentar.Pois não há razão para voltar atrás no Brasil.(Contato não contemplativo,espectador transformados e participador.Proposições ao invés de peças,propor e propor práticas não ritualísticas,o Artista não mais como criador de objetos e sim propositor de práticas.Descobertas apenas sugeridas em aberto,proposiões simples e gerais não ainda completadas,situações a serem vividas.)
A invenção,ela imune a diluição.A invenção,ela propõe uma outra invenção,a condição do que o Nietzsche chamava de o artista trágico." Hélio Oiticica.


Olyvia.

Itaú Cultural - H. Oiticica "Museu É o Mundo"

Oi pessoal!
Segue um link muito legal do próprio Itaú Cultural sobre o Hélio Oiticica chamado Programa Hélio Oiticica, eles fazem um grande apanhado de obras, documentos, resumos, notas, textos, entre outros arquivos sobre o artista que ajuda bastante a entender melhor sua carreira.

Programa Hélio Oiticica (link)

Também estou colocando um video da abertura da exposição que vamos amanhã já que não vamos ter a oportunidade de ver a mesma lá.
Na abertura estão os Parangolés do Oiticica interpretados por atores do Teatro Oficina, 15 integrantes da escola de samba Mangueira e o cantor Jards Macalé , que foi um dos representantes do Tropicalismo.



Abraços e até amanhã!

Victor.

01 maio 2010

Seja Marginal,Seja Herói.

Texto publicado no catálogo da exposição Whitechapel Experience,fala sobre o assassinato do traficante Cara de Cavalo,amigo do Oiticica e tema de uma das suas obras mais polêmicas:"Seja Marginal,Seja Herói." (1965)
http://guerrilhacarioca.blogspot.com/2007/01/incorporo-revoltaousadias-parte-venho.html
O link acima,é de um blog que mostra fragmentos da carta que o artista escreveu em homenagem ao amigo.O blog compara a violência do Rio em 2007 ,com o acontecimento de 1964.
bjs.
Olyvia.

Hélio Oiticica