05 maio 2010

Candomblé e o primeiro samba do Brasil.

Pegando o gancho da exposição de hoje gostaria de compartilhar a história do primeiro samba do Brasil. Este meu recorte temporal mostra, sob a ótica da música e da religião, como se davam algumas das interações sociais dos recém libertos afrodescendentes na virada do século XIX para o XX.

O primeiro samba gravado foi "Pelo Telephone", registrado por Donga e Mauro de Almeida, porém sua autoria até hoje gera discussão uma vez que não se sabe ao certo quem foi o real autor da música.

Isso por que na cidade do Rio de Janeiro no início do século passado, era na casa de Tia Ciata o ponto de encontro dos músicos, boêmios e artistas em geral, tais como: Sinhô, Donga, João da Baiana, Pixinguinha entre outras figuras notáveis da época.
Tia Ciata, baiana de nascimento, Iyalorixá (mãe de santo) e cozinheira de mão cheia, era uma figura marcante da cena artística daquela época, de portas sempre abertas recebia seus convidados para seus cultos de Candomblé e após eles, iniciavam-se festas incríveis que podiam perdurar por vários dias.


Tia Ciata

Nestas festas, se utilizando da combinação dos instrumentos do candomblé e outros como viola, violão, cavaquinho e intrumentos de sopro, os músicos tocavam e cantavam sem parar, em formato de partido-alto, que antes de virar um sub-gênero do samba como é conhecido hoje, era o nome que se dava à esta improvisção na letra cantada, onde se criava um refrão ou apenas uma palavra que se repete várias vezes e os versos eram criados na hora, cantados por um músico de cada vez, o que muito nos remete ao repente do nordeste ou ao "freestyle" no hip-hop.

E dessas rodas de música (música, pois ainda não se usava o termo samba até aquele momento) foi criada "Pelo Telephone", sem nunca se saber quem foi o real autor da música, mas que foi registrada por Donga e Mauro e alguns anos depois gravado pelo cantor Bahiano para a Casa Edison, primeira gravadora do Brasil, cujo nome remete à invenção de Thomas Edison, o fonógrafo de Edison, primeiro instrumento para gravações de áudio com uma certa qualidade de reprodução.

Ouçam a versão original de 1916, gravada pelo cantor Bahiano.


E uma outra versão de 1966 da tv Record, com o próprio Donga cantando, Chico Buarque, Pixinguinha, Hebe Camargo, entre outros.


E citando Donga eu encerro,

"mas não se esqueça, o samba veio da Bahia!"

Victor

2 comentários:

  1. sobre a discussão de hoje, de forças estrangeiras alienígenas movendo nossa cultura...
    tem coisa mais Brasileira que o samba??

    Linda história, vitor!

    Bjs Rachel

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  2. Quando a alma é "parangoleira" não importa se vc está de terno! Emocionante! Beijos

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