Se Glauber é precursor do underground brasileiro com“Câncer” filmado em 1968 , no Rio, é por sua aproximação com a cultura dos morros cariocas. Relação Sertão/Favela que cria uma linha de continuidade entre o mundo do sertanejo e o imaginário urbano das favelas. A marginália social e artística dos morros ganha um sentido existencial e estético a partir dos anos 70. “Câncer” é uma encruzilhada entre a pedagogia da violência glauberiana, seu impulso sádico-paternalista e o desejo de uma arte que atravessasse as fronteiras de classe, status, cultura. Nele, a classe média artística – Rogério Duarte, Odete Lara, Hugo Carvana, Pitanga, Hélio Oiticica – freqüenta a marginália dos morros, sambistas, punguistas, o submundo das delegacias. Discutem com o povo à respeito de comunismo, sexo, miséria, revolução. Glauber descobre a vanguarda pelo submundo, como se Godard subisse o morro.
Camille
Camille, vc sabe de que forma o Oitica participou do filme?
ResponderExcluirCamille seria legal se pudéssemos ver mais exemplos do cinema marginal, se puder, traga novamente seu livro. Acho que é material legal para pensarmos o mapa!!
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