04 maio 2010

O que você acha que Helio Oiticica pensaria sobre essa exposição?

tente responder com uma de suas frases ou título de algum de seus trabalhos.

13 comentários:

  1. Por que a impossibilidade?

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  2. "A obra nasce de apenas um toque na matéria. Quero que a matéria de que é feita minha obra permaneça tal como é; o que a transforma em expressão é nada mais que um sopro: um sopro interior, de plenitude cósmica. Fora disso não há obra. Basta um toque, nada mais".

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  3. "Se há gente interessada em minha obra anterior, melhor, mas não vou expô-la ou ficar repetindo AD INFINITUM as mesmas coisas; não estou aqui para fazer retrospectivas, como um artista acabado; estou no início de algo maior; quem não entender que se dane; procurem-se informar melhor e respeitar idéias e trabalho feito."

    Liberdade individual caminha com Oiticica. A afirmação do indivíduo viria de dentro em sua obra, de uma busca íntima de um corpo que toca, que vê, que anda, que reflete. Que é interior e exterior simultaneamente.

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  4. "Seja Marginal, Seja Herói"

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  5. Creio que a exposição seria uma reprodução da performance "Parangolé",no MAM(RJ-1965),incluvise tenho a convicção de que se H.O estivesse vivo ele estario envolvido com a "pixação" essa nova(não tão nova dialética urbana,pois tem muito a ver com a fragmentação de uma nova linguagem e manifestação artística marginal).Devido ao caráter subversivo e trangressor das pesquisas e trabalhos realizadas por Hélio,subversivo no sentido literal de subverter de forma marginal(enxergar e viver a margem),do sistema assimilacionista anglo-saxão impostos por fortes influências estrangeiras.E transgressor também no sentido de quebrar paradgmas com a "Nova Objetividade Brasileira", acredito que ele subverteu e transgrediu seu próprio tempo como individuo,e a memória como propositora de uma coletividade historicamente empírica.Há uma ambiguidade muito forte em relação a repercursão do seu legado(moral,estético,intelectual,social).


    Olyvia.

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  6. HO se sentiria pouco homenageado, sua obra está exposta de uma maneira que permite muito pouco da interação por ele proposta, imagino que ele preferiria que seus trabalhos fossem todos réplicas, afinal muito do seu trabalho (o que não foi perdido pelo menos) está registrado de maneira a deixar claro seu procedimento de montagem (dossiê de montagem) o que acontece de fato com a série dos penetráveis. Não há então porque elevar a aura artística apenas porque foi daquele objeto que HO tocou. É mais relevante à memória do artista a efetivação da exeperiência do visitante à sua obra do que apenas a apreciação visual nela empenhada.
    A série dos Penetráveis até que em suas recentes montagens passam próximo da proposição do artista no quesito da montagem e dos locais escolhidos, entretanto, quem teve a oportunidade de visitar o PN 14 no Jardim das Esculturas no Parque do Ibirapuera se deparou com dois "bedéis" que ficavam acompanhdo/supervisionando a visitação, como se a obra dependesse desse tipo de verificação/acompanhamento. Não acredito que ele gostasse da idéia de "oficiais à paisana" de qualquer instituição que fossem.
    Fernando

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  7. Creio que na sexta-feira a palestrante respondeu nossas especulações,em relação a proposta da instituição e do artista.Com o seguinte comentário:"No caso de Oiticica,seria impossível qualquer uma de suas obras serem institucionalizada,perante suas propostas estéticas"


    Olyvia.

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  8. Tomando o ano de 1964, pelos diversos mencionados durante a palestra (morte de seu pai, primeiro contato com a Mangueira, golpe militar etc.), como um marco na carreira de Hélio Oiticica, encontro duas respostas para esta pergunta;

    "É mais fácil penetrar o pensamento do artista quando ele deixa um testumunho verbal do seu processo criador" (entrevista ao Jornal do Brasil, 1961)

    "(...) Pretendo estender o sentido de 'apropriação' das coisas do mundo com que deparo nas ruas, terrenos baldios, campos, o mundo ambiente, enfim - coisas que não seriam transportáveis, mas para as quais eu chamaria o público a participação - seria isto um golpe fatal ao conceito de museu, galeria de arte etc., e ao próprio conceito de 'exposição' - ou nós o modificamos ou continuamos na mesma. Museu é o mundo; é a experiência cotidiana. (...) Será necessária a criação de 'ambientes' para essas obras - o próprio conceito de 'exposição' no seu sentido tradicional já muda, pois de nada significa 'expor' tais peças (...) mas sim a criação de espaços estruturados, livres ao mesmo tempo à participação e invenção criativa do espectador" (trechos de "Programa Ambiental, 1966)

    Matias

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  9. oiticica pensaria...
    Ficamos de colocar no blog, com nossas palavras, o que Oiticica pensaria da sua exposição no ITAÚ, então aí vai minha resposta:

    Acho que se um Oiticica que tivesse vivido toda a realidade que veio após sua morte até hoje visse suas antigas obras naquela exposição no Itaú Cultural, ficaria satisfeito e insatisfeito ao mesmo tempo. Por um lado poderia ficar feliz com a forte explicação paralela (escrita e falada), colocada junto a apresentação de suas obras, como ele mesmo achava importante fazer. Por outro lado, (e acho que o incomodaria mais do que ver suas obras imobilizadas pelos princípios da salvaguarda) ver a idéia de marginalidade completamente subtraída de seu trabalho poderia decepcioná-lo verdadeiramente. Vivendo a contemporaneidade, poderia ver que o "mainstream" a se combater não seria mais a opressão da ditadura, mas sim a estrutura que estaria abarcando toda a popularidade de seu trabalho e do instituto que o exibe.

    Carol

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  10. Acredito que ele fosse achar engraçado sua arte no Itau. Provavelmente ele daria um jeito de criar alguma manifestação, seja com sambistas, ou de qualquer outra ordem cultural para entrar no Itau e ser expulso de lá, assim como foi no Rio. Ele sendo expulso de algum lugar seria uma forma expressar toda a atmosfera de sua arte com o paradoxo da instituição onde está exposta suas obras.

    Rodrigo

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  11. Acho que concordo um pouco com o que a Carol disse. Oiticica ficaria satisfeito com a explicação feita junto a suas obras, como uma espécie de "base" para alguns.
    Mas ao mesmo tempo, não podemos esquecer de que o próprio Oiticica pensava que suas obras não poderiam ser institucionalizadas. Talvez ele gostasse da intensão, mas soubesse que, institucionalizadas, as obras não atingiriam sua "essência".

    Sylvia

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  12. Concordo quando vc diz q a exposição é um assassinato ao próprio conceito de Oitica. Pois a obra dele propunha a interação, a experimentação. E quando entrei na exposição e me deparei com as obras dentro de uma caixas de vidro, senti uma certa frustração, pois as sensações que a obra dele propunha acabam desaparecendo. Entendo que por motivos de resguardo dos trabalhos, como uma forma de acondicionamento é necessária essa distância que temos dos trabalhos.
    E reafirmando a Olyvia, também acho q suas obras seria exibidas no meio da paulista.

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  13. "Hélio Oiticica, aos 73 anos, é custosamente arrancado de seu retiro em uma serra erma no estado do Rio por ocasião da inauguração de uma exposição em sua homenagem na Av. Paulista.

    Suas raras aparições públicas são assunto para primeira página dos cadernos de cultura, colunas sociais e rodinhas de intelectuais, onde se comenta seu inestimável valor como artista, a imortalidade de seu trabalho e tudo o mais...
    Inevitáveis também os comentários maldosos acerca de seu estado mental delicado, sempre seguidos de um adendo envergonhado a respeito da saúde debilitada pelos anos de orgia daquele artista plástico, a iminência velada da mortalidade e tudo o mais...

    Cafézinho - e-mail - e-mail - telefone - telefone - telefone - cafézinho - carro - carrinho - aeronave - carrinho - carro - Telefone - carro - cafézinho - carro.

    Mar e terra se moveram para desentocar o véio, e ele veio!

    Defronte dum belo edifício de espelhinhos, onde se inaugurava a exposição, o velho Hélio vem saindo do carro, atrapalhando o sábado das paulistanas. Encara aquele predião, aperta a vista por trás dos fundos de garrafa:
    -"C#ntr0 C"lt"raI B@anoo T@atú".
    Mede o prédio de cima a baixo.

    Grunhe.

    Perde mais uns cinco minutos acompanhando os passos dos saltos que tilintam pela escadaria da fachada, vira as costas e sai andando.

    Cagando e andando.

    Teo
    (à respeito do que Oiticica pensaria da exposição que visitamos.)"

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