
Na Avenida Prestes Maia, número 911, região da Luz, centro de São Paulo: vemos um prédio de 23 andares, ocupando com duas torres um terreno de muitos metros quadrados, construído na metade do século XX para servir de escritório a uma empresa da indústria têxtil. De 1987 à 2002, porém, o prédio permaneceu vazio, obsoleto, oco.
Na contramão, a contradição da realidade capital paulistana aparecia nas ruas: um contigente imenso de pessoas sem moradia.
Articuladas pelo Movimento do Sem-Teto do Centro (MSTC), deu-se a ocupação do Edifício: de 2002 a 2007, 470 famílias habitaram nele, cerca de 2000 pessoas, que revitalizaram (em sua acepção literal) aquele lugar. É considerada, até hoje, a maior ocupação vertical da América Latina. Dentro do prédio, criaram uma escola, a Escola Popular Prestes Maia, construíram coletivamente uma biblioteca (que chegou a ter 6000 livros), abriram um espaço para oficinas, debates, festas, deram sentido ao lugar vazio, preencheram com vida o prédio oco.
Durante todo o tempo da ocupação, uma série de intervenções foram feitas voltadas para a rua, com a intenção de chamar atenção para o que acontecia naquele lugar. Em 2006, porém, uma outra experiência artística foi proposta: a Ocupação Prestes Maia abrigaria o Território São Paulo, exposição paralela e integrante à IX Bienal de Havana. 13 coletivos artísticos paulistanos foram convidados a produzir uma arte-política para aquele lugar, que dialogasse e propusesse questões a cerca dos conteúdos levantados pela ocupação, pela apropriação daquele espaço. As salas em Cuba e em São Paulo se comunicavam e interagiam todo o tempo, através de um aparelho de fax.
Em 2007, uma ação judicial de reintegração de posse, movida por um dos proprietários do edifício (e vereador de SP então em exercício!), e executada por uma ação da Polícia Militar, despejou do Prestes Maia todas as famílias que ali viviam, todas suas obras de arte, todos seus livros.
Na cidade que se (re)produz pela lógica da valorização do capital, qual que é o espaço do espontâneo? Existe arte-política?
Na avenida Prestes Maia nº 911 resta ainda o esqueleto de um prédio - o esqueleto de um corpo morto.





+ Imagens, Vídeos e Informações: http://tuliotavares.wordpress.com/prestes-maia-acoes-culturais/
Revitalização ou Gentrificação?
Rachel
Não sei qual é a situação do edifício hoje, mas no dia 26 de abril, durante a madrugada, famílias voltaram a ocupar o edifício, que é propriedade dos empresários Jorge Hamuche e Eduardo Amorim.
ResponderExcluirOs sem-teto pediam/pedem ao Ministério das Cidades que transforme a edificação em moradia para famílias de baixa renda.
Sylvia